Empresas vencedoras tem cabeça de mulher

Venho defendendo uma tese e a cada dia mais evidências me deixam ainda mais convencido da mesma: cabeça de mulher é o novo paradigma de gestão. Este tema, por uma provocação minha, foi discutido em uma matéria publicada no Correio* recentemente e eu gostaria de discutir um pouquinho mais a respeito. O texto do jornal vai logo a seguir caso você queira ler. Vale a pena, tem informações bem interessantes lá.

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Irmã Dulce: deixou-nos um legado construído com a cabeça e o coração. 4,5 milhões de pessoas são atendidas por ano na OSCID – Obras Sociais Irmã Dulce. Fonte: www.irmadulce.org.br

Por muito tempo e ainda hoje em muitas organizações, as mulheres que conseguiam ascender ao topo da gestão tiveram que adotar uma postura corporativa “padrão” e este “padrão” era o masculino. É importante destacar que algumas mulheres conseguiram manter um comportamento feminino e, ainda assim, conquistar um lugar nas diretorias das empresas. Mas foram e ainda são excessão em muitas corporações. A regra para crescer e chegar em posições de liderança é se tornar um homemzinho de saia, ou seja, adotar uma postura masculinizada.

E como é esta postura que prepondera na cultura corporativa? Bem fácil de identificar e podemos destacar alguns itens principais. Vou tratar somente de um deles aqui, um dos mais relevantes na minha opinião: a privação das emoções. Frases como essa eram e ainda são mantras em muitos lugares: “Não se pode usar o coração para tomar decisões. Quando a gente toma uma  decisão, temos que usar a cabeça”. Será mesmo? Bem, antes de mais nada e para que ninguém venham de pronto jogar pedras em mim, é interessante frisar que tomar decisões requer análise de dados, conhecimento, estudo, enfim, é preciso usar a cabeça. Mas não é só isso, tem algo mais. Vamos para um exemplo bem comum em nossa sociedade: o casamento. Todos os dias tem muita gente casando, neste exato momento devem ter vários casais pelo mundo sacramentando a união, se tornando uma família, e podemos afirmar que muitas dessas uniões, talvez a grande maioria, não tiveram nada de racional no processo de decisão. Olha que interessante, uma das coisas mais importantes de nossas vidas, quando a gente coloca as escovas de dente no mesmo banheiro, muitas vezes não tem relação nenhuma ou muito pouca com a razão. A gente casa porque se apaixona, porque ama e isso não se pode explicar falando, só podemos sentir. Alguns poetas e escritores chegam perto em descrever o que sentimos, mas só chegam perto e de uma forma mais genérica porque o que a gente sente, do jeito que a gente sente, só a gente sente e nem a gente entende, ou seja, nem a razão consegue explicar a base da decisão. Isso quer dizer que temos outra dimensão para a tomada de decisão além da razão: a emoção. Conciliar as duas, razão e emoção, pode ser muito mais produtivo para os negócios. Como assim? Vamos seguir um pouco mais neste caminho.

Cada vez mais pesquisa e a própria observação do cotidiano comprova que organizações que conseguem se conectar emocionalmente com seus funcionários e clientes são mais rentáveis, tem mais fidelidade por parte dos clientes assim como mais indicação expontânea, o famoso boca a boca. Sim, organizações tem que ser bem geridas, rentáveis, decisões estratégicas e de negócios precisam ser tomadas racionalmente e os números são frios. Verdade, a mais pura verdade. Mas também fica claro e evidente que, apesar disso,  as pessoas não somente querem fazer um negócio ou ganhar um salário hoje em dia, cada vez mais elas gostam, se apaixonam por aquela empresa, por aquele negócio, por aquele propósito maior que elas se conectaram. E isso é emoção, uma qualidade muito melhor desenvolvida histórica e culturalmente nas mulheres do que nos homens em nossa sociedade. Tem muito pai e mãe que ainda diz hoje em dia para crianças: – homem não chora! E isso é uma das inúmeras formas de ir atrofiando a capacidade de sentir e externar os sentimentos nos meninos. Com as mulheres é diferente, pelo contrário, é rotulada de frágil por ter sentimentos.

Ter sentimentos e conseguir expressa-los com inteligência é uma das competências mais importantes hoje em dia no mundo corporativo. Líderes de alta performance sabem disso e eles e elas conseguem fazer sua equipe vibrar, se indignar, comemorar uma vitória e se sentir inconformada com um resultado ruim. Conectam-se uns com os outros, com os clientes, com a sociedade e isso é sentir e pensar, juntos.

Além do sentimento, defendo que a “cabeça de mulher” tem melhor capacidade de se comunicar e também de construir relacionamentos, mas estes itens ficam para outra conversa.

Sentir, além do pensar, precisa ser exercitado e desenvolvidos nas organizações. Governos seriam melhores se sentissem os anseios da população, empresas seriam melhores se prestassem mais atenção aos sentimentos dos funcionários e dos clientes, enfim, o mundo seria melhor se a gente sentisse mais. E isso, a cabeça de mulher já tem porque com ela vem junto o coração. Em outras palavras, organizações vencedores tem cabeça e coração.

 

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*Matéria publicada no Jornal Correio em 13.11.2016

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