O fim de uma era enfim chegou

Ilustração sobre a manchete do Valor Econômica – por Cezar Almeida

Em 2015, Vicente Gomes escreveu um artigo em Exame com o título “Avaliação de desempenho: o fim da camisa de força”. Vicente comemorava a notícia de que grandes empresas começavam a abandonar seus sistema de avaliação de desempenho baseados em curva forçada, 9 boxes e avaliação anual. Uma mudança nada menos liderada por empresas referência como GE, Accenture, Delloite, Microsoft e LinkedIn, lista de alto nível que inspirou Gomes a chamar a tendência de “o fim de uma era”.

Cinco anos se passaram e o título da matéria do Valor, ilustrada na imagem acima, mostra que o fim da era ainda não chegou. Ainda estamos comemorando e apontando como tendência a humanização das relações nas empresas. 

E depois ainda dizem que o avanço tecnológico e as máquinas estão nos deixando menos humanos. Ah, faça-me o favor! Muito pelo contrário, nunca tivemos a chance de, com o apoio da tecnologia, cuidar dos aspectos mais essenciais de nossa existência. A tragédia da pandemia esta proporcionando às empresas a chance de reverem seus processos e acelerarem a transformação de seus modelos de gestão para, enfim, chegarmos no fim desta era. 

Não é possível mais aguardar um ano para dar um feedback, nem muito menos medir desempenho de pessoas como se fossem máquinas, robozinhos programados para cumprir processos e entregar resultados, sempre do mesmo jeito. Com gente não é assim que funciona, com gente é diferente. É preciso usar a tecnologia para oferecer análises e métricas precisas sobre as entregas das pessoas, tudo isso aliado a uma análise humana, carregada de subjetividade e sentimento. Sim: s-e-n-t-i-m-e-n-t-o! Afinal, o que seria de nós sem sentir? Respondo: uma máquina. 

Como eu não quero nem ser uma máquina e nem muito menos ser substituído por uma, prefiro ressaltar que sou um ser tão emocional, quanto racional.

Lembrei-me de um episódio tocante da série de documentários “O valor do feminino: Humanidade [em Mim]”, veiculado no GNT e disponível no YouTube. Assinada por Molico Nestlé e concebida pela competente Camila Holpert e time do Studio Ideias, o episódio “Acreditar” vale ser resgatado para esta conversa. Nele, o Marcelo Toledo relata a história do Alonso, um talento, mas que de repente sumiu da empresa. A mãe ligou depois de duas semanas e relatou que Alonso tinha tido uma overdose. Depois de um ano, Alonso voltou recebeu uma segunda chance. Com uma recaída um mês depois de voltar, ele ficou longe mais um ano e voltou novamente a procurar a primeira pessoa que ele procurou da outra vez, o Marcelo. E o que aconteceu no final da história? Alonso teve uma segunda chance da segunda chance. E dessa vez deu tudo deu certo! Uma decisão improvável, imprevisto, incalculável, inimaginável, irracional. Em suma: uma decisão humana.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Vale assistir o relato e contatar que nenhuma avaliação de caixinha e nenhuma conta complexa feita por algoritmo é capaz de fazer: ser humano.

Vamos manter métricas, metas, números e resultados bem mensurados e acompanhados por máquinas e sistemas, mas a avaliação de desempenho envolve uma variável indispensável: a humanidade. 

Por avaliações de desempenho mais humanas, hoje e sempre, afinal “nós estamos aqui levando uns aos outros para casa”.

O fim do home office

A coisa ganhou força semana passada com o fundador da Netflix afirmando ser contra o home office. Logo depois recebi um texto com uma comparação (meio forçada) do erro na new coke com a decisão das empresas que adotaram home office definitivamente no calor da hora da pandemia. Agora a pouco li no @braziljournal que o @jpmorgan afirmou que a produtividade caiu muito com o trabalho fora do escritório e já anunciaram a volta do pessoal para o escritório assim que possível. 

Eu no meu home office de baixa produtividade

O que eu tenho a dizer: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Eu não acredito que o trabalho fora das sede física é a única solução para todas as empresas e todas as pessoas. Nem que não é. Apenas depende. O negócio é que a gente ainda quer tomar decisões em um mundo dinâmico e complexo com a cabeça da era industrial, da linha de produção, de Taylor e Fayol. 

Não é mais assim pessoal: precisamos pensar com a cabeça aberta, em diversidade de opções, modelos, caminhos… mas para isso precisamos aceitar a nossa própria diversidade, de que somos seres humanos únicos, complexos e cada um do seu jeito. 

Não se pode gerir mais com a cabeça de padronizar, enlatar, enquadrar, modelar… agora precisamos da cabeça para pensar, perguntar, provocar, aceitar, colaborar, adaptar… Vamos aceitar o home office para quem quer, na empresa que tem uma cultura para tal e quando tivermos prontos. 

Por hora, eu prefiro meu escritório em casa do que uma sala na Faria Lima. Tenho certeza que seria mais produtivo lá, mas quem se importa quando se tem essa vista? E você, se pudesse escolher, consegue trabalhar em casa ou prefere o escritório? 

#homeoffice #netflix #cultura #teletrabalho